Desta vez trago-vos um livro de um dos melhores escritores portugueses: o meu eterno Saramago. É um tipo de escrita um pouco complicada devido à forma como Saramago escreve porém, com um pouco de dedicação uma pessoa acaba por se habituar e começa a entender a sua forma de escrever. Não é uma escrita para toda a gente, é daqueles escritores que ou se ama ou se odeia, eu, muito sinceramente, apaixonei-me. Foi o primeiro livro que li deste senhor, apesar de já ter lido muitos poemas e contos escritos por ele, e fiquei encantada.
O título do livro é assim um pouco estranho e sem dúvida que e o tema ainda mais. Este livro traz-nos como principal personagem a morte, o que parece ser algo de muito estranho mas que ao longo do livro se torna muito normal.
A história começa por um país em que a partir da meia noite do primeiro dia do ano ninguém morreu, as pessoas podiam estar em fases terminais, ser baleadas no coração, ser cortadas ao meio ou fosse o que fosse, mas não morriam. Inicialmente isto pareceu à população algo de genial pois iriam ter uma vida eterna, mas com o passar do tempo começam a surgir muitos problemas, de diversos géneros, que provam que aquele acontecimento era terrível. Muita coisa se passa no meio de tudo isto mas, num determinado dia, a morte envia uma carta de cor violeta para o diretor da televisão a informar que a partir da meia noite desse dia as pessoas voltarão a morrer. Daqui surgem ainda mais problemas principalmente quando a morte declara que agora irá avisar as pessoas que irão morrer com uma semana de antecedência, enviando-lhes uma carta violeta. O medo desta carta instala-se por todo o país, porém a morte tem um pequeno problema pois uma das cartas foi devolvida e por mais que a morte a volta-se a enviar a carta nunca chegava ao destinatário. Assim sendo a morte decidiu investigar o destinatário dessa carta e tenta de todas as formas que ele receba a carta pois já deveria ter morrido e isso não acontecia. A morte acabou por se transformar numa mulher para o seduzir e lhe dar a carta porém acontece algo que nunca ninguém esperou: a morte apaixonou-se. E novamente ninguém voltou a morrer.
Uma história completamente fantástica que me faz acreditar mais no ditado: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se."! Um livro incrivelmente bem estruturado com um tema fora do comum que me fez amar cada palavra e que me deixou sem palavras!
*As famosas frases:
- "No dia seguinte ninguém morreu." - frase que começa o livro e que o termina;
- "As esperanças têm esse fado que cumprir, nascer umas nas outras, por isso é que, apesar de tantas deceções, ainda não se acabaram no mundo.";
- "Isso a que chama mistérios é muitas vezes uma proteção, há os que levam armaduras, há os que levam mistérios.";
- "A morte, por si mesma, sozinha, sem qualquer ajuda externa, sempre matou muito menos que o homem.";

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